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Acordo Mercosul-UE em vigor: o que realmente muda para empresas brasileiras com estrutura em Portugal

Capa do PostPostado em 7 de maio de 2026
Tempo de leitura: 6 minutos

No dia 1.º de maio de 2026, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entrou em vigor. Depois de 26 anos de negociação, mais de 5 mil produtos brasileiros passaram a acessar o mercado europeu com tarifas zeradas ou reduzidas. A ApexBrasil estima um aumento de até US$ 1 bilhão nas exportações brasileiras para a UE só no primeiro ano.

A cobertura da imprensa parou nesse número. Mas esse não é o ponto mais relevante para quem já opera ou está estruturando uma empresa em Portugal.

O acordo não apenas reduziu tarifas. Ele reconfigurou quem está de qual lado da mesa.

A distinção que ninguém está explicando direito

Uma empresa brasileira que exporta de São Paulo para a Europa continua sendo uma exportadora do Mercosul. Tem acesso melhorado, sim. Mas ainda negocia de fora.

Uma empresa com estrutura jurídica em Portugal está do lado europeu do acordo. Acesso nativo ao mercado comunitário, contratos sob legislação da UE, padrões técnicos unificados e, a partir de agora, o direito de competir em licitações públicas nos 27 países do bloco em igualdade de condições com fornecedores locais.

A diferença não é tarifária. É de posicionamento competitivo.

O que mudou no dia 1.º de maio, em números

Logo no início da implementação, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passaram a ter tarifa zero, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria. Entre os quase 3 mil produtos com isenção imediata, 93% são bens industriais.

Isso indica que a indústria captura o benefício mais visível no curto prazo. Mas o capítulo de serviços muda o jogo para empresas de tecnologia, consultoria e prestação de serviços especializados, que passam a ter melhores condições para operar no território europeu.

Outros dados do acordo:

  • Eliminação progressiva de tarifas sobre mais de 90% do volume de comércio bilateral ao longo do período de transição
  • Economia estimada de 4 bilhões de euros por ano em taxas de exportação para os países do Mercosul
  • Acesso a um mercado unificado de quase 780 milhões de consumidores nos dois continentes, sendo aproximadamente 440 milhões apenas no bloco europeu
  • O bloco combinado representa cerca de 25% do PIB mundial

Leia também: Internacionalização via Portugal: Sua Porta de Entrada para a União Europeia

O mercado que ninguém estava discutindo: compras governamentais

O acordo abre o mercado de compras públicas dos 27 países da União Europeia para empresas estabelecidas em território europeu.

Isso cria uma oportunidade concreta para empresas de engenharia, arquitetura, tecnologia e consultoria que antes sequer conseguiam entrar nos processos seletivos. Licitações públicas europeias estavam praticamente fechadas para fornecedores de fora do bloco. A partir de agora, uma empresa brasileira com sede em Portugal pode competir em condições equivalentes às de fornecedores alemães, franceses ou espanhóis.

O volume desse mercado é expressivo. As compras governamentais na União Europeia representam aproximadamente 14% do PIB do bloco, uma cifra que supera 2 trilhões de euros por ano.

O efeito de atração de investimento que poucos estão discutindo

Há uma consequência estratégica que ainda não apareceu nas análises mainstream.

Com a garantia de acesso ao mercado europeu, multinacionais podem decidir instalar estruturas no Mercosul para exportar para a Europa com tarifa zero. É um movimento racional num contexto em que a Europa busca reduzir dependência da Ásia e diversificar cadeias de fornecimento.

Para quem já está em Portugal, isso significa mais capital circulando no ecossistema e mais empresas globais buscando parceiros com base europeia. A empresa brasileira estabelecida em Lisboa ou Porto não é apenas beneficiária do acordo. Passa a ser um ativo estratégico para multinacionais que precisam de um ponto de entrada com raízes nos dois lados do Atlântico.

O que exige atenção antes de interpretar os benefícios

A adequação regulatória antecede qualquer benefício tarifário. Esse ponto costuma ser subestimado.

O acordo não elimina as barreiras não tarifárias: certificações técnicas, conformidade com normas ambientais e trabalhistas europeias, regras de origem dos produtos, requisitos de governança. Uma empresa que tenta aproveitar as tarifas zeradas sem ter resolvido essas questões encontra estoques retidos nos portos, multas regulatórias e atrasos que corroem qualquer ganho tarifário.

Além disso, exportar com tarifa zero de São Paulo para Frankfurt é diferente de operar em Frankfurt. O acordo facilita o acesso. Não substitui a presença local, os contratos com legislação europeia nem a credibilidade que vem de ter endereço no bloco.

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Perguntas frequentes sobre o Acordo Mercosul-UE

O acordo Mercosul-UE já está em vigor?

Sim. O acordo entrou em vigor em 1.º de maio de 2026, após 26 anos de negociação entre os blocos. Os benefícios tarifários começaram a ser aplicados imediatamente para uma parcela dos produtos, com redução progressiva ao longo de um período de transição que pode chegar a 15 anos para setores mais sensíveis.

Quais produtos brasileiros têm tarifa zero para a Europa agora?

Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa passaram a ter tarifa zero na entrada em vigor do acordo. Entre os quase 3 mil produtos com isenção imediata, 93% são bens industriais. Produtos agrícolas têm cronograma de redução mais longo.

Qual a diferença entre exportar para a Europa e ter empresa em Portugal depois do acordo?

Uma empresa que exporta do Brasil acessa o mercado europeu com tarifas reduzidas, mas ainda negocia como fornecedor externo ao bloco. Uma empresa com estrutura jurídica em Portugal opera com legislação europeia, padrões técnicos unificados e acesso nativo ao mercado comunitário, incluindo o direito de participar de licitações públicas nos 27 países da UE em condições iguais às de fornecedores locais. A diferença é de posicionamento competitivo, não apenas de tarifa.

Empresas brasileiras com sede em Portugal podem participar de licitações públicas na Europa?

Sim. O acordo abre o mercado de compras públicas europeu para empresas estabelecidas em território da UE. Isso inclui licitações nos 27 países do bloco, um mercado que representa aproximadamente 14% do PIB europeu. Empresas de engenharia, arquitetura, tecnologia e consultoria são as mais diretamente beneficiadas por essa abertura.

Como o acordo Mercosul-UE afeta empresas de tecnologia e consultoria?

O capítulo de serviços do acordo melhora as condições para prestação de serviços especializados no território europeu. Empresas de tecnologia e consultoria com estrutura em Portugal passam a ter acesso facilitado ao mercado de serviços da UE, com contratos sob legislação europeia e possibilidade de operar em licitações públicas que antes estavam vedadas a fornecedores externos ao bloco.

Quais são os números gerais do acordo Mercosul-UE?

O acordo prevê eliminação progressiva de tarifas sobre mais de 90% do volume de comércio bilateral entre os blocos. A economia estimada em taxas de exportação para o lado do Mercosul é de 4 bilhões de euros por ano. O mercado unificado soma quase 780 milhões de consumidores nos dois continentes e representa aproximadamente 25% do PIB mundial.

O acordo Mercosul-UE facilita abrir empresa em Portugal?

O acordo não altera diretamente as regras para abertura de empresas em Portugal, que seguem a legislação portuguesa e europeia. O que muda é o valor estratégico dessa estrutura após a entrada em vigor do acordo. Uma empresa registrada em Portugal passa a operar do lado europeu do tratado, com acesso nativo ao mercado comunitário e ao mercado de compras públicas dos 27 países do bloco.

A posição que o acordo valoriza

O argumento mais comum sobre o Mercosul-UE fala em oportunidade para o Brasil exportar mais. Esse argumento está correto, mas é incompleto.

A questão mais relevante para lideranças empresariais não é quanto se pode exportar, mas de onde se vai operar quando o mercado europeu se abrir em escala.

Exportar com tarifa reduzida é uma vantagem competitiva. Estar estabelecido em Portugal é uma posição competitiva. São duas coisas diferentes, e a segunda tem durabilidade maior, porque não depende do cronograma de transição tarifária nem das regras de origem que podem excluir produtos da isenção.

A Atlantic Hub acompanha o ecossistema de negócios luso-brasileiro desde 2016 e tem monitorado de perto os desdobramentos do acordo para empresas brasileiras com operações em Portugal. Para empresários que estão avaliando como posicionar suas empresas nesse novo cenário, a equipe de inteligência de mercado da Atlantic Hub pode ajudar a mapear as implicações específicas para cada setor e modelo de negócio.

Sobre o autor,

Thiago Matsumoto – Especialista em internacionalização de negócios, auxilia empresas brasileiras a expandirem suas operações globalmente a partir de Portugal.
CMO e sócio da Atlantic Hub, responsável pela estratégia de marca e marketing auxiliando empresários e investidores brasileiros a entender o ecossistema empresarial Português, assessorando-os na internacionalização de seu negócio para a Europa a partir de Portugal.Co-Founder da COREangels Atlantic,  Sócio da Conexão Europa Imóveis, Professor e palestrante, Mentor, Advisor. 
Mestrando em Administração na UNINOVE, possui graduação em Engenharia Elétrica pela FEI , com MBA de Gestão Empresarial pela FGV.

Thiago Matsumoto

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